A arte de tocar pela vibração dos sons
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Escrito por Gláucia Amantéa, Redação   
Qua, 17 de Fevereiro de 2010 16:45
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“A arte é a natureza levada à perfeição”, já dizia Thomas Browne, escritor inglês, do século XVII, e a música é a perfeição do ser humano.

O grupo Surdodum, nasceu há 15 anos em Brasília, com o intuito de levar música àqueles que não podem ouvir da maneira tradicional. No projeto de inclusão social os integrantes são levados para um mundo onde os sons dos instrumentos de percussão são transformadores não só da condição auditiva, mas também da auto-estima, da realização pessoal, da aceitação e superação.

 

Com mais de 30 integrantes, o projeto reúne alunos em fase inicial, intermediária e avançada, nesta última, os alunos são integrantes da Banda Surdodum e se apresentam em shows profissionalmente. “O projeto nasceu do sonho de Ana Lúcia Soares, educadora e fonoaudióloga, ela iniciou o grupo na Fundação Educacional com o objetivo de inclusão social. Todos aqui têm a educação como princípio básico e o apoio necessário para construir uma carreira sólida. Somos uma família!” diz Reinaldo Braz, mestre de bateria, integrante do grupo desde o inicio do projeto.

A deficiência auditiva em seus diversos graus, afeta 10% da população mundial, segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde). Nos países desenvolvidos, um em cada 1.000 habitantes é surdo, nos subdesenvolvidos o número cresce para 4 em cada 100. Esse aumento é conseqüência da falta de políticas primárias. Projetos como o Surdodum são fundamentais para que a integração desses deficientes auditivos, por meio de um processo sócio-pedagógico e cultural, seja realmente efetiva e transformadora.

Mauricio Branco, 39 anos, há 10 no projeto, comanda o surdo de marcação e conta que antes do projeto sua vida não tinha muito sentido. “Com o projeto voltei a estudar, concluí o ensino fundamental, o médio e ingressei na faculdade, me formei em pedagogia e hoje estou cursando Letras e Libras na UNB. Além disso, conheci minha namorada que é interprete de libras. O Surdodum me trouxe cidadania e dignidade”.

Em 2005, o Surdodum foi premiado pela Fundação do Banco do Brasil com um prêmio de R$50.000,00 em instrumentos, mas infelizmente sofreram um furto em que quase todos os instrumentos foram levados. O grupo que realizava os ensaios e aulas numa escola pública cedida pela Fundação Educacional resolveu alugar um pequeno estúdio para realização dos encontros. Hoje, o grupo está aos poucos comprando novos instrumentos, mas ainda não tem apoio financeiro e busca patrocínio para a realização de um DVD.

O grupo realiza shows e workshops sobre musicalização e inclusão social, alguns alunos inclusive já se tornaram professores e ensinam outros deficientes auditivos a tocar, e ainda há uma cantora entre eles: Andréia Brito – surda profunda - que dá um show à parte com sua bela voz e mostra que vencer barreiras é só um passo a mais na vida de cada um deles.

 “Música é o idioma de todos os povos, é a abertura a muitos idílios antes incógnitos. Estimular a ultrapassar limites é somente nossa pouca contribuição” – diz Ana Lúcia Soares, Coordenadora do Projeto Surdodum.


Serviço

Surdodum

Ana Lúcia (61) 9984-4574

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Gláucia Amantéa

Sudoeste Virtual

Imagem: SV